Quem foi Simão Toco

Simão Gonçalves Toco nasceu em 1918 na localidade de Sadi-Zulumongo (Ntaia, Maquela Do Zombo, província do Uíge, Angola) e recebeu o nome kikongo de Mayamona.

Após frequentar o ensino primário na missão baptista de Kibokolo, concluiu o ensino secundário no Liceu Salvador Correia, em Luanda.

Por esta altura, alegadamente terá conhecido um acontecimento milagroso que despoletou a sua missão religiosa: o encontro com Deus em Catete (Abril de 1935).

Depois, regressou ao Uíge para trabalhar nas missões baptistas de Kibokolo e Bembe. Em 1942, parte para Leopoldville (Congo Belga) onde colabora com a missão local e dirige um coro musical com cantores zombos, oriundos da mesma região que ele (Maquela do Zombo). A este coro dá o título de Coro de Kibokolo.

Em 1946, foi convidado, junto com outros dois “indígenas” (Gaspar de Almeida e Jessé Chipenda Chiúla) para intervir nos trabalhos da Conferência Missionária Internacional Protestante, realizada de 15 a 21 de Julho de 1946, na localidade de Kaliná em Leopoldville (actual cidade de Kinshasa, capital da República Democrática do Congo). Na altura, dirigiu uma prece onde pede para o Espírito Santo descer em África.

Tal prece é supostamente atendida em 25 de Julho de 1949 quando, após um desentendimento com a Missão Baptista de Leopoldville, convoca uma vigília de oração na sua residência (rua de Mayenge, nº 159).

Naquele momento, contaram os presentes que sentiram um vento e começaram a tremer, realizando milagres invocando algumas passagens bíblicas. Este momento é assumido pelo tocoísmo como o momento em que o Espírito Santo desceu em África e a igreja cristã foi “relembrada”, de forma a retomar o caminho da igreja original do tempo dos Apóstolos. É a data da fundação do movimento tocoísta.

Após estes acontecimentos, Simão Gonçalves Toco e muitos dos seus seguidores foram presos pelas autoridades belgas, sob a acusação de alterar a ordem pública. Em Janeiro de 1950, são deportados do Congo Belga e entregues, no posto fronteiriço de Nóqui (província do Zaire), às autoridades portuguesas.

O líder é enviado pelo Vale do Loge e, após passagens por Luanda, Caconda e Jáu, para a Baía dos Tigres, na província de Moçâmedes (hoje Namibe). Pouco tempo depois, é enviado para trabalhar como assistente num farol em Ponta Albina, na mesma região.

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