A CPLP E O PORTUGUÊS NA ONU



Aquando da criação da Organização das Nações Unidas, em 1945, cinco línguas (inglês, francês, russo, chinês, espanhol) foram aceites como línguas oficiais da ONU. As três primeiras parecem ter sido eleitas como reconhecimento do poderio dos seus países (Estados Unidos e o Reino Unido, França, e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) e por que estas nações foram vencedoras da II Guerra Mundial.

A quarta parece ter sido eleita pelo factor demográfico e a quinta pelo factor europeu e porque na América Latina, Central e do Sul, salvo raras excepções, a língua predominante é o espanhol.

Em 1970, após os choques petrolíferos, o árabe foi acrescentado como língua de trabalho da ONU, em virtude da preponderância alcançada pelos países do mundo árabe produtores de petróleo.

A CPLP tem toda legitimidade para reclamar a introdução da língua de Camões no leque de línguas de trabalho das Nações Unidas. O Brasil emerge como potência mundial e, como disse o antigo presidente do Parlamento de Cabo-Verde, Aristides Lima, numa dissertação sobre “Língua Portuguesa – Um capital precioso”, o português é uma das línguas mais faladas no mundo, um meio de aquisição de conhecimento e de difusão de cultura e um factor de democratização das Relações Internacionais.

Mais de duzentos milhões de pessoas falam o português, que é Língua oficial de oito Estados espalhados por todos os continentes: em África (Angola, Cabo-Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe), América (Brasil), Ásia (Timor Leste e Macau, região autónoma da China), e Europa (Portugal).

O facto de se falar o português em todo mundo demonstra a universalidade da língua de Camões, que é um factor de unidade nacional e de expressão da identidade dos povos que a utilizam.

A utilização progressiva do português como língua de trabalho em organizações internacionais de cariz universal e regional também é já uma realidade.

Como refere a declaração de Praia Sobre a projecção da Língua Portuguesa no mundo, por ocasião da XIV Reunião do Conselho de Ministros da CPLP, de 2009, o português “é um idioma falado em mais de vinte instituições internacionais, nomeadamente na União Africana, na União Europeia, na União Sul-americana de Nações (Unasul) e na Organização dos Estados Americanos e nas Cimeiras de Ibero-Americanas” – falta dar o passo seguinte: elevar o português à Língua oficial e de trabalho da ONU.

A pretensão da CPLP em tornar o português língua de trabalho da ONU é reforçada por a Língua de Camões ser uma das seis línguas mais faladas no mundo e porque os Estados da CPLP são membros activos e inseridos em diversos contextos geopolíticos e culturais, e contribuem de forma exemplar para a realização dos fins da ONU, como refere Aristides Lima na dissertação já referida.

Para demonstrar o seu empenho na introdução do português como língua de trabalho em Nova Iorque, a comunidade fez um conjunto de recomendações que se consubstanciam na adopção de medidas tendentes a fazer do português uma língua de documentação das Nações Unidas, na criação de tradutores e intérpretes na ONU financiados pela CPLP, e na continuidade da adopção do português como língua de trabalho na conferência geral da Unesco.

A tradução para o português de importantes portais das Nações Unidas e a promoção da formação dos tradutores e intérpretes de português nas organizações internacionais também foram apresentados pela CPLP.

Outro aspecto importante que reforça a pretensão da CPLP é o facto de, salvo excepções como a Guiné Equatorial, todos os países da organização vivem em democracia e em paz efectiva.

Nada mais natural e legítimo, portanto, que a CPLP aspire que a sua língua oficial, que é universal, seja utilizada como língua de trabalho na ONU.