Mário Simões de Sousa Araújo

Professor Dr. Mário Araújo, é angolano, de nome completo Mário Simão de Sousa Araújo, nasceu em 25 de Dezembro de 1961 na província do Uíge. É professor há 16 anos. 

Como surgiu o interesse pela profissão de professor?

Ser professor não foi a minha vocação inicial. A minha vocação inicial foi de sacerdote. Estive no seminário durante 3 anos, dos 18 aos 21 anos, mas concluí que não ia aguentar uma vida celibatária e abandonei o seminário e a ideia de ser sacerdote.

Mas continuava a sentir a necessidade de ensinar, e acabei por me tornar professor.

Como avalia a sua relação com os estudantes?

Positiva. Em 16 anos de docência tenho mantido com os meus alunos um relacionamento feito na base do respeito, de compreensão e de entre-ajuda.

Tenho sido mais do que um professor para alguns alunos, a minha relação com eles extravasa a sala de aulas, tenho mantido aberto para que eles possam desabafar comigo assuntos do foro pessoal, conselho escolar, acompanhamento e vários tipos de situações até problemas de índole familiar e até mesmo pessoal. Tenho dado essa abertura aos meus alunos e nessa base eu posso considerar positiva.

Quais são os factos mais marcantes da vida docente e projectos para o futuro?

Na minha carreira de  16 anos o facto mais marcante foi ter trocado Portugal por Angola. Quanto ao momento lúdico e divertido, ao jantar este ano com alunos, ofereceram-me uma garrafa de vinho do porto com a minha idade. Fiquei sensibilizado por os alunos terem descoberto a minha idade, terem descoberto a minha idade e pelo trabalho que tiveram em descobrir e encontrar uma garrafa de Vinho do Porto precisamente de 1961, o ano em que nasci.

Quanto a projectos, escrevo artigos para a Revista Africana e para o Jornal Cultura e tenho em mente um projecto televisivo ligado ao ensino e divulgação da Língua Portuguesa. A curto e médio prazo, tenho um livro que está a ser editado, e tudo leva a crer que o livro será publicado este ano. Quando acontecer a cerimonia do lançamento do livro, terei a honra de convidar o CeAAc.

Sente-se realizado?

Uma pessoa nunca se sente verdadeiramente realizada porque quando se ama aquilo que se faz, há sempre projectos por fazer. Estou bem comigo próprio por aquilo que já fiz e faço, e sinto-me bem.

Importância que dá à família, aos mais velhos e às crianças, no geral?IMG_0388

A família é o núcleo da sociedade e a pedra angular na formação de um cidadão, regra geral, os melhores alunos provêm de famílias bem estruturadas e os maus alunos apresentam sinais de que as coisas em casa não funcionam.

Qual é a sua cor preferida?

Azul bebé

Tem um ídolo?

Sim. Nelson Mandela, por razões óbvias. 

Qual é o último livro que leu, disco que ouviu, filme que viu, e o seu escritor, cantor e actor favorito?

Li o “Uanga” de Óscar Ribas e gostei imenso pela história e relato que faz da sociedade angolana no tempo colonial, assim como os traços e tradição da cultura angolana. Não tenho tempo de ir ao cinema o último filme que me lembro de ver pela televisão foi sobre a vida de Jesus, mas isso já foi a meia dúzia de anos. Quanto aos escritores, gosto do Óscar Ribas e de Pepetela. Internacionais gosto particularmente de Óscar Wild e Harold Robin.

Que tem a dizer sobre os programas televisivos e o cinema angolano ­actual?

Desde que estou cá nunca fui ao cinema e não tenho elementos para me pronunciar sobre o cinema angolano. Em relação a televisão, sou muito crítico e para já não vejo televisão.

Tenho muitas dúvidas em relação a coisas boas que a televisão passa a dar, vejo novelas com conteúdos vazios e pouco úteis para a sociedade, os filmes que vou espreitando também enfermam deste mal e as vezes me pergunto porque este filme foi feito. Também penso que programas como o “Big Brother” não deviam existir.

Qual seu maior defeito, melhor virtude e a sua melhor companhia?

A melhor companhia é a minha mulher, os meus filhos e netos. Em relação à virtude penso ser a solidariedade. O meu maior defeito é não querer ser rico, não ligar as coisas mundanas e a minha simplicidade e humildade na forma de vestir. A minha mulher, acusa-me de não olhar para mim, não me cuidar.

Qual é o seu desporto e clube favorito?

O desporto favorito é o futebol, até porque o pratiquei na minha juventude, como júnior. Em Portugal, sou do Sporting, em Angola sou do Petro de Luanda. A minha mulher goza comigo porque eu só escolho clubes que me entristecem, que não ganham. Este se calhar é um dos outros defeitos, escolher clubes que poucas alegrias dão aos adeptos.

Acredita em forças ocultas?

 Só acredito em Deus. Não acredito em feitiçaria, magia negra, mau olhado e tantas outras forças. Acredito que há alguém superior a nós, mas Este penso ser Deus.

O que acha da corrupção, homossexualidade e poligamia?IMG_0387

A corrupção, não sei se existe e acho que não sou a pessoa indicada para falar da corrupção. A poligamia é um acto cultural. Na nossa cultura angolana em certas regiões a poligamia é permitida e ninguém se zanga por isso.

Mas não concordo com a poligamia porque acredito que ninguém pode amar duas pessoas ao mesmo tempo. Penso ser impossível amar duas pessoas com o mesmo sentimento e não amando da mesma forma estaria a ferir uma e numa relação polígama há sempre uma a sofrer.

Se existisse um referendo sobre se concorda ou não com a homossexualidade diria que “sim”, apesar de haver questões que me preocupam. Aceito-a por acreditar que existem pessoas que nascem com essa tendência.

Em relação à juventude, que país acha que vamos ter daqui a 25 anos?

O país que teremos daqui à 25 anos vai ser o país que a juventude quiser e fizer por isso. Há sinais que o futuro será risonho. Tem sido feito uma posta muito grande na formação, que é a base do desenvolvimento de qualquer país.

Há a vontade do Executivo em abrir nas 18 províncias pelo menos uma Universidade pública. O futuro é risonho. Está ser feita uma aposta muito forte na formação da Juventude.

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